De Taizé trouxe o coração cheio!

cruzO meu testemunho de Taizé,
por Beatriz Figueiredo –

Foi o meu segundo ano. Era impossível regressar a Taizé pela segunda vez e não recordar o meu primeiro ano. Neste meu primeiro ano, nunca tinha ido a uma oração em Portugal, nunca tinha ouvido músicas das orações e não sabia ao certo para onde ia.

Cerca de um mês antes de partir à descoberta de um local novo – com o objetivo de ir não só à descoberta do local em si mas também à descoberta de mim mesma e de Deus – um irmão da Comunidade veio a Portugal e foi à escola apresentar Taizé. Falou-nos de tudo um pouco, inclusive mostrou-nos vídeos para termos uma vaga ideia do que era aquele lugar de que todos falavam. Se isto me ajudou? Não. Continuava a não saber para onde ia e a minha curiosidade aumentava cada vez mais… assim como a vontade de ir.

ChegadaTaizeAinda me lembro de quando cheguei a Taizé, daquela confusão de levar as malas para uma tenda enorme e de haver imensas pessoas por todo lado. Senti-me pequena e perdida no meio de tanta confusão.

O mesmo se passou da segunda vez.

“A chegada é sempre feita de novidade.” O lugar é o mesmo, mas fui diferente: a companhia era outra e Deus surpreendeu-me e falou-me por outras “palavras”. Foi preciso ficar atenta, silenciar o meu coração e colocar-me à escuta.

“Taizé é aquele lugar que “Deus quis, o Homem sonhou e a obra nasceu” (Fernando Pessoa). Impulsionado pela vontade de Deus, surgiu o sonho do Irmão Roger, para quem era essencial criar um espaço “onde a bondade do coração e a simplicidade estivessem no centro de tudo”. O sonho concretizou-se nesta Comunidade Ecuménica, onde jovens dos quatro cantos do mundo são desafiados a viver uma semana fundada no Evangelho, através da vida em comunidade, simplicidade, oração e silêncio.”

No ano passado cada aluno que ia pela segunda vez a Taizé teve como responsabilidade adotar alguém mais novo. Fui madrinha de duas raparigas e nelas senti tudo aquilo que senti no meu primeiro ano. Para onde vou, como é, o que se faz por lá…

Em Taizé, logo pela manhã, ouvem-se o bater das portas das camaratas, pássaros a cantarolar, pessoas a falar… o despertar da manhã. Somos chamados à primeira oração da manhã, do meio-dia e da noite com o tocar dos sinos, uma melodia agradável que nos convida à oração na igreja da reconciliação.

DescansoDurante a manhã e durante a tarde ia ter com o meu grupo de reflexão onde partilhava uma reflexão bíblica diária e um pouco de mim, criando assim laços de amizade. Aprendi a reflectir de maneira diferente não só as cenas da Bíblia como também cenas do dia-a-dia – afinal de contas elas estão ligadas entre si. Com isto encontrei a Bíblia muito perto de mim, no sentido de que as cenas que a ela pertencem se enquadram perfeitamente no nosso dia-a-dia.

Quanto às refeições… estas eram diferentes ao que estava habituada, mas rapidamente me habituei. Ouvi palavras de um animador, que as disse no meu primeiro ano e que as voltou a repetir no meu segundo, marcando-me de novo. Dizia ele que se nós achássemos a comida de Taizé “má”, então devíamos agradecer a Deus, pois era sinal que em casa teríamos melhor. Palavras simples mas que me fizeram reflectir.

A dormida era em camaratas, no saco cama e não se sentia a necessidade de ir à internet ou ver televisão. Enfim, por lá aprendemos a dar valor às coisas mais pequenas que, afinal, não são assim tão pequenas como julgamos.

Da mesma forma que chegámos a Taizé assim nos despedimos, mas já não nos sentimos perdidos como quando chegámos: desejamos mais uma semana por lá, mais um dia, mais uma noite. Chegamos a implorar por mais uma hora. Trocamos abraços, algumas lágrimas… a felicidade era tanta!

De Taizé trouxe muitas memórias, amizades, boas experiências…

De Taizé trouxe o coração cheio!

Altar

Dentro de uma semana, agarro na minha mochila cheia de vontade e parto rumo a Taizé com o objetivo de a trazer repleta de coisas boas, experiências novas e trazer também, o coração cheio!

Santa Comba Dão, 17 de fevereiro de 2017
Beatriz Figueiredo
(membro do grupo de Jovens Católicos – O Saleiro)

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