Testemunhos de peregrinos à JMJ 2023

Testemunho pessoal de um peregrino, em três actos.
I. A Dor
Uma peregrinação é muitas vezes associada à dor física, pelo cansaço do corpo exposto a esforços extraordinários. Sem surpresa, também eu senti essas dores nos últimos dias da JMJ2023. Mas a Dor principal senti-a logo no dia que cheguei a Lisboa, no momento da Missa de Acolhimento. Uma Dor que me rasgou a Alma, quando, no momento imediatamente antes da partilha da Comunhão, uma voz alerta e anuncia uma espécie de lista de excluídos dessa comunhão do Corpo de Cristo. Bem sei que a minha Igreja mantém essa lista. Mas foi a primeira vez na minha vida consciente de Cristão, Católico Apostólico Romano, que ouvi tal anúncio, naquele momento eucarístico. Logo no arranque da JMJ. Depois do espanto e do choque imediato, dei por mim em sofrimento e, no dia seguinte, a chorar. Literalmente a chorar.
Onde e quando é que Cristo listou os excluídos da comunhão do seu Santo Corpo?
II. A Esperança
Ao terceiro dia, encontrei Esperança nas palavras do Papa Francisco e na exigência que ele fez à multidão reunida no Parque Eduardo VII para que as repetisse: TODOS, TODOS, TODOS. Uma Igreja para Todos. Conhecendo minimamente o funcionamento das coisas, sei que isto não vai passar automaticamente a ser doutrina e dogma da minha Igreja. Mas é a voz e a mensagem da sua cabeça, do seu líder.
E este TODOS fez-me também lembrar a Oração com Cânticos de Taizé que dinamizámos ainda no Couto do Mosteiro, com a participação ativa do nosso Bispo, D. António Luciano e do Bispo de Vitória, D. Juan Carlos Elizalde… lembro-me daqueles braços abertos de Cristo na Cruz, infinitos para abraçar tão grande número de jovens que nele procuraram refúgio naquele momento simbólico, mesmo daqueles que nem sabiam que a JMJ era um evento religioso, ou daqueles que nunca tinham participado numa Oração, ou daqueles que não sabiam nem nunca tinham participado na Adoração do Santíssimo (como vieram a fazer, dias mais tarde, durante a Vigília, no Campo da Graça).
III. A Alegria
Mas a JMJ2023 foi sobretudo Alegria. Pelos inúmeros rostos, os olhos, a procura por algo mais (será que cada um dos nossos rostos é uma peça do puzzle do rosto de Deus?).
Pelos cânticos, os abraços, as corridas para o reencontro, as amizades, as memórias partilhadas.
Pelos jovens.
E, sim, pelo Papa Francisco.
Agosto, 2023
Miguel.
Ver também: https://www.saleiro.pt/testemunho-jmj2023/